No último dia 16 de novembro, a pesquisadora Bertha Koiffmann Becker (in memoriam) recebeu do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) a Menção Honrosa Rio Negro pelo trabalho desenvolvido na região amazônica. Na ocasião, também foram condecorados Niro Higuchi e o general de Exército Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira.
A homenagem foi criada pelo INPA no ano de 2008 e tem como objetivo homenagear profissionais dedicados ao desenvolvimento científico na região amazônica.
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
sexta-feira, 18 de março de 2016
Amazônia, Geopolítica na Virada do III Milênio
Em
seu memorial para provimento do cargo de titular do Departamento de
geografia da Universidade do Brasil/UFRJ, Bertha K. Becker fala do
sentido de sua trajetória acadêmico-profissional referindo-se a uma
paixão e a uma identificação pessoal pela grafia da Terra, não como
simples descrição, mas como design, desenho e projeto. Para Bertha, a
Geografia do Brasil, é, pois, design e projeto do Brasil como parte
constitutiva do projeto Terra.
É a partir desta perspectiva que a autora, uma das mais importantes geógrafas brasileiras na atualidade, desenvolve neste livro uma notável contribuição, pela via da Geografia Política, ao conhecimento dos processos contemporâneos que atribuem significado às transformações ocorridas nas últimas décadas na Amazônia brasileira.
Este livro é o resultado de uma longa carreira voltada à pesquisa, à análise e à reflexão sobre essas transformações. Bertha Becker oferece, assim, a estudantes, professores, pesquisadores, especialistas em gestão e políticas públicas e a todos os interessados neste tema – candente para o presente e o futuro do Brasil – uma compreensão da dinâmica regional amazônica a partir da análise das formas conflituosas de sua apropriação por diferentes autores.
Essa
compreensão é pontuada pelo conceito de fronteira, desenvolvido pela
autora em obras anteriores, enquanto espaço não plenamente estruturado
e, por isto mesmo, potencialmente gerador de realidades novas; um espaço
cuja especificidade é a sua virtualidade histórica. A este conceito
somam-se perspectivas derivadas da observação aguda das complexidades do
contexto contemporâneo, que contribuem para redefinir a dinâmica da
região.
Editora: Garamond
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Resenha sobre A Urbe amazônida de Bertha Becker
Compartilhamos link para a Resenha de Gustavo Teramatsu intitulada "A urbe amazônida, de Bertha Becker" baseada na última obra da geógrafa, "A urbe amazônida: a floresta e a cidade".
Fonte: http://agbcampinas.com.br/bcg/index.php/
Fonte: http://agbcampinas.com.br/bcg/index.php/
DESENVOLVER PARA PRESERVAR
Sobre Bertha Becker por Wenderson Almeida de Souza e Jairo Bruno Gomes de Moura
A geógrafa Bertha Koiffmann Becker nasceu em 1930, no Rio de Janeiro e faleceu no dia 13 de julho de 2013, aos 83 anos. Professora emérita da Universidade Federal de Rio de Janeiro (UFRJ), ela era uma referência internacional na área da Geografia Política, principalmente em estudos sobre a Amazônia. Integrante da Academia Brasileira de Ciências (ABC) deu aulas por quase 20 anos no Instituto Rio Branco, vinculado ao Ministério das Relações Exteriores, onde segundo a própria Bertha foi um “divisor de águas” em sua carreira por entrar em contato com a Amazônia através de uma aula de campo dada aos diplomatas.
O pensamento que alicerça o entendimento sobre a contribuição de Becker está apontado nessa citação de sua autoria: “Produzir para conservar é um novo paradigma cientifico-tecnológico. Esse novo paradigma precisa de uma logística oferecida pelas cidades, porque são elas que produzem os serviços básicos para os cidadãos.” (2013).
Becker defende uma concepção de Amazônia com utilidade para a sua população, uma visão utilitarista/econômica que estaria pautada na preservação dessa biodiversidade como consequência da sua exploração consciente, ou seja, a floresta tem valor de pé. Outro ponto destacado é a negligencia do Estado perante a região Amazônica que abrange grande porção do território nacional e carece de maiores políticas que possam desenvolver essa região devido ao seu grande potencial natural. Segundo a geógrafa, é preciso pensar uma Amazônia, não como depositária de processos simples (extrativismo), e sim uma porção do território competitiva e passível de usos, diferente de uma visão simplesmente preservacionista motivo que pode ter contribuído para o atraso econômico. Concebia em seus estudos e análises sobre o território amazônico uma ótica desenvolvimentista científica-tecnológica na qual contrastava o século XIX, de base extrativista, para o século XXI que deveria haver uma revolução biotecnológica para um desenvolvimento pleno.
Becker traz uma concepção de cidade equipada, ou seja, uma cidade que possa refletir a dinâmica urbana com a dinâmica natural do seu entorno. Conceitos como “complexo verde” e “complexo urbano” ganham ênfase em suas análises geográficas aliadas a questão de fronteira urbana (espaço em incorporação). A urbanização nessa região possui vertentes plurais, que segundo ela, seriam: i) urbanização espontânea; ii) urbanização de colonização (Estado); iii)urbanização ligada a mineração; iv) urbanização de padrão (ocupação ao entorno dos rios).
O que suscita nossa abordagem sobre Becker está contida em sua citação sobre uma visão diferente da concebida por nós brasileiros sobre a Amazônia: “Não podemos ficar só com áreas protegidas. Primeiro porque a proteção já não protege mais, o desflorestamento continua. E só proteger não gera renda e trabalho, que é o fundamental para a região e para o país. O que precisamos é produzir para preservar”. Ressalta-se que a geógrafa não desconsiderava o fator ambiental, porém evidenciava uma valoração econômica na região, o que difere da concepção de Amazônia compartilhada pela maioria. Concluímos que uma das grandes contribuições de Bertha Becker foi politizar o debate que desrespeita à Amazônia.
Referências Bibliográficas:
Cientistas do Brasil – Bertha Becker. Disponível emhttps://www.youtube.com/watch?v=joKzHQohaMY Acesso em: 11 de novembro de 2014.
ROCHA, M .G. Fronteira e urbanização na Amazônia: contribuições de Bertha Becker. Belém, setembro. 2013.
SILVA, I. R. N. Uma história sobre Bertha Becker. Jul/Dez. 2011.
Fonte: blog História do Pensamento Geográfico II: Pensadores da Geografia brasileira
Disponível em: http://hpgii-ufv.blogspot.com.br/p/bertha-becker.html
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Edição da Revista Espaço Aberto em homenagem à Bertha
Compartilhamos o link para a edição especial da Revista Espaço Aberto em
homenagem à professora Bertha Becker. A revista é produzida pelo Programa de Pós-Graduação
em Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e conta com artigos
escritos por profissionais que trabalharam com Bertha Becker. Nos artigos estão presentes importantes reflexões sobre o
importante legado deixado pela pesquisadora à Geografia no Brasil e aos estudos da Região Amazônica.
Homenagem à Bertha K. Becker Sobre o Divino Brilho de uma
Mente Inquieta - Paulo César da Costa Gomes
Tributo à professora Bertha Koiffman Becker (Geógrafa
Internacional por Excelência) - Akinlawon Ladipo Mabogunje
Escrevendo um Mundo Breves notas sobre a Geografia
Política de Bertha Becker - Roberto Bartholo
Homenagem à Bertha Becker - Adma Hamam de
Figueiredo
Homenagem, Sempre - Elimar Pinheiro do
Nascimento, Joao Nildo Vianna
Geografias Vividas - Pedro Pinchas Geiger
Memorial de Concurso para Provimento do Cargo de
Professor Titular no Departamento de Geografia na Universidade Federal do Rio
de Janeiro - Bertha Koiffmann Becker
A Ecologia como parâmetro da Geopolítica – O legado de
Bertha Becker no Campo dos Estudos Ambientais na Amazônia - Diógenes
S. Alves
Uma Floresta Urbanizada? Legado e Desdobramentos de uma
Teoria sobre o Significado da Cidade e do Urbano na Amazônia - Saint-Clair
Cordeiro da Trindade Júnior
Colonialismo Carbônico na Amazônia? - Scott
William Hoefle
A Questão Ambiental e a Nova Geopolítica das Nações:
Impactos e Pressões sobre a Amazônia Brasileira - Marcelo
Campello
A Geografia e o Resgate da Antigeopolítica - Ivaldo
Lima
Evolução da Organização do Território no Brasil e na
França - Céline Broggio, Martine Droulers
Estrada do Pacífico na Integração Sul-Americana e o Acre
- Ana Maria de Souza Mello Bicalho
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
NÚMERO EXTRAORDINARIO EN HOMENAJE A LA GEÓGRAFA BERTHA BECKER
Coletânea de trabalhos em homenagem à Bertha Becker foi publicado na Revista Biblio 3W.
Os trabalhos são de Wagner Costa Ribeiro - Bertha Becker: geógrafa da fronteira política e da Amazônia
Neli Aparecida de Mello-Théry y Hervé Théry - O planejamento territorial, o estado e a Amazônia na obra de Bertha Becker: algumas reflexões.
Helena Maria Martins Lastres,:Nelson Siffert, Marcelo Machado da Silva,Marcus Cardoso - O legado e as lições de Bertha Becker ao BNDES
Ima Célia Guimarães Vieira, Peter Mann de Toledo, Gilberto de Miranda Rocha, Roberto Araújo Oliveira Santos Junior - Bertha Becker e a Amazônia
e Adma Hamam de Figueiredo - Homenagem a Bertha Becker: notas sobre o zoneamento ecológico-econômico.
Os trabalhos também podem ser visualizados através do link: http://www.ub.edu/geocrit/b3w-1103.htm
terça-feira, 8 de julho de 2014
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Depoimento de Ima Vieira, pesquisadora do museu Paraense Emílio Goeldi
A carioca da gema Bertha Becker é uma das cientistas mais fascinantes que eu conheço. Mantemos uma agradável amizade e contato contínuo, sempre discutindo ciência e situações que nos atraem a atenção.
Bertha é uma mulher irrequieta, curiosa, forte e doce, que é capaz de estar um dia no Rio de Janeiro e no outro na fronteira do Brasil com a Bolívia, à procura de entender o que está acontecendo na e com a Amazônia. Ao longo de mais de 30 anos de estudo sobre o Brasil, e em particular sobre a Amazônia, produziu uma extensa obra e fez reflexões importantíssimas sobre a dinâmica da região.
Mais do que isso, fez muitas propostas. Bertha é cheia de novas ideias! E tem trazido enorme contribuição ao conhecimento dos processos transformadores da Amazônia e defendido a ideia de um novo padrão de desenvolvimento que exige uma revolução científica, de maneira a permitir um aproveitamento sustentável dos recursos naturais.
Sua obra nos ajuda a compreender as visões conflitantes e opostas sobre a região – as perspectivas desenvolvimentistas, de um lado, e a conservacionista, de outro – e pensar em estratégias inovadoras para dar um salto econômico responsável.
A obra densa da professora Bertha demonstra o seu compromisso com a região amazônica e o seu povo. Sua disposição para elaborar estudos, análises e propostas é enorme e os faz com uma agudeza que só se adquire em muitos anos de trabalho e de observação. Assim, Bertha Becker realiza aquilo que deveria ser o propósito de qualquer pesquisador: a partir do conhecimento sólido e maduro, estimula o debate de ideias e o auxílio para a compreensão dos acontecimentos atuais.
Depoimento de Adma Hamam de Figueiredo, coordenadora de geografia do IBGE
Fui aluna da professora Bertha na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e ela acabou sendo a minha orientadora na tese de Doutorado. Posteriormente, desenvolvemos vários trabalhos em parceria, e eu posso destacar a tentativa contínua de inovar em termos de trabalho teórica da Geografia.
Bertha é uma professora absolutamente inquieta, que, apesar dos longos anos de experiência, ainda mantém como ponto central de seu legado a criatividade. Ela está sempre buscando aliar o teórico com propostas para solucionar questões práticas e cruciais para o Brasil, a exemplo da Amazônia.
Grande parte de sua obra tem como foco a questão da Amazônia, principalmente no sentido de aliar o saber conceitual com o metológico a fim de apontar soluções e encaminhamentos para a Amazônia brasileira.
Seus estudos têm ênfase na geopolítica, uma vez que a professora Bertha não consegue separar geografia e política, ela trabalha sempre com múltiplas escalas. Ainda sobre os estudos na Amazônia, talvez sejam a grande contribuição dela para a academia no âmbito nacional e internacional. Ela tem acompanhado a história contemporânea do Brasil e feito uma leitura de inserção da Amazônia pelo jogo de poder dentro e fora do País.
Depoimento de Adalberto Val, diretor do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Inpa)
Bom, vou definir de forma bem pontual o que eu penso sobre a Bertha: ela é uma profissional brilhante e extremamente competente. Eu diria que ela é uma das pessoas mais incríveis com as quais eu já tive oportunidade de trabalhar.
As pesquisas desenvolvidas por ela contribuíram de forma bastante marcante para pensarmos um novo passo territorial, principalmente na Amazônia. Ela mantém uma postura extremamente instigante no sentido de propor novas alternativas para a Amazônia, soluções estas que evidenciem a compreensão e a valorização das características geopolíticas e econômicas da região.
Trabalhar com ela foi imensamente prazeroso porque ela está sempre instigando esse trabalho de pensar. Por isso, todos nós devemos absorver o legado da Bertha Becker para que possamos fazer intervenções mais seguras na Amazônia.
domingo, 29 de junho de 2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Ensaio em homenagem à Bertha K. Becker
Compartilhamos o ensaio publicado na revista Sustentabilidade em Debate intitulado "Homenagem à Bertha K. Becker: Ciência e políticas públicas para o desenvolvimento da Amazônia", escrito pelos pesquisadores e amigos de Bertha: Ima Vieira, Roberto Araújo e Peter Toledo.
Acesse aqui: Ensaio
Acesse aqui: Ensaio
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Obituário da Profa. Bertha Becker
Disponibilizamos o Obituário da Profa. Bertha Becker, "A geógrafa das cidades da Amazônia".
terça-feira, 12 de novembro de 2013
[Bertha Becker] A grande geógrafa
Texto produzido por Lúcio Flávio Pinto
Publicado em: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=77178 em 23.08.2013
Imagem: ooutroladodamoeda.com.br
Bertha Becker, que morreu no final
do mês passado, aos 83 anos, no Rio de Janeiro, era considerada por alguns como
"a maior geógrafa, maior conhecedora e a cientista que mais influenciou
políticas públicas para a Amazônia”. Foi como a definiu Raimunda Monteiro,
professora e pesquisadora da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará),
orientanda de Becker e que com ela esteve em 2011, talvez na última viagem que
fez à região, para debater a criação do Estado do Tapajós.
Não sei se o título é justo ou se é
cabível pensar realmente num título como esse. Sem dúvida ela escreveu muito,
andou bastante pela região, provocou polêmicas e influenciou ações, com o que
garantiu sua posição de destaque entre os amazonólogos. Tinha uma
característica relevante: procurava enquadrar a narrativa sobre a Amazônia num
quadro explicativo mais amplo e num marco teórico universal. Não era apenas
impressionista ou empiricista. Nem, no outro extremo, teórica demais.
Na primeira das várias vezes em que
a encontrei, a parabenizei e lhe agradeci pelo gesto nobre que tivera ao
escrever seu pequeno (e muito lido) livro Amazônia, que saiu nos anos 1990 na
série Princípios da Editora Ática. Dos 20 livros da sua bibliografia comentada,
um era meu, o Amazônia: no rastro do saque, de 1980, que ela disse ser
"reportagem com enfoque sociológico sobre a realidade amazônica”.
Raramente os acadêmicos se permitem
o risco de incluir livros de jornalistas na bibliografia que montam. Acham que
pode desvalorizar suas teses e dissertações, sobretudo quando elas ainda
dependem da aprovação de uma banca examinadora. Jornalismo não poderia levar o
sinete de obra científica, que mereça referência. Seria para ser lido e
esquecido, embora muitos acabem por usá-lo — desde que evitando a citação.
Com o tempo e em função das
crescentes divergências que fomos tendo em cada encontro de trabalho, começou a
surgir um mal-estar entre nós, que talvez a tenha levado a excluir meu livro de
sua biblioteca. Nos últimos debates nos quais estivemos juntos, Bertha já
antecipava que eu iria discordar dela, o que eu fazia sem constrangimento nem
qualquer intenção maldosa. Eu gostava dela, a respeitava e admirava. Era uma
pesquisadora de valor e uma pessoa eminente.
Mas realmente minha crítica ao seu
trabalho se tornou inevitável, em função da própria evolução do conhecimento
que fui acumulando sobre a Amazônia. Percebo hoje que quase 50 anos de
dedicação sistemática a um tema fazem alguma diferença quando confrontados com
abordagens mais recentes, menos constantes e, apesar disso, de maior pretensão
intelectual.
Acho que a geopolítica, tanto a
velha, de matriz conservadora e ideologicamente à direita do espectro, quanto a
nova, de enfoque esquerdista, fazem mal à compreensão da Amazônia. Os tipos
ideais decorrentes de sua matriz explicativa e a rigidez formal do seu
raciocínio têm se mostrado incapazes de apreender a complexidade do processo
histórico atual da Amazônia.
É tudo demasiadamente esquemático,
numa versão do velho dualismo que faz os encantos dos intérpretes, mas de pouca
serventia se mostra àqueles que participam do drama real e concreto da vida. A
escolástica não deixa de gerar distorções para se tornar mais aceitável,
simpática, sedutora. Especialmente para aqueles que querem exaurir em esquemas
explicativos fatos muito mais ricos.
Recentemente acompanhei um projeto
de pesquisa no qual a autora atribuía aos americanos o tom colonial e os
aspectos nefastos da história da Companhia Vale do Rio Doce, criada em 1942
para abrir uma fonte de fornecimento de minério de ferro aos aliados, que
combatiam o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial. A manipulação dos Estados
Unidos nos bastidores continuaria até hoje.
Isso é uma falácia. Não resiste à
menor checagem. Mesmo que por meio de uma sofisticada chantagem, Getúlio Vargas
conseguiu apoio dos EUA para a siderúrgica de Volta Redonda, que inseriu o
Brasil na história do aço para valer (embora em posição irrelevante). E o peso
americano foi logo deslocado para a Europa e a Ásia. Pelo contrário, a
participação da United States Steel em Carajás é exemplo de um dos maiores
fracassos de uma multinacional na exploração de recurso econômico em país
estrangeiro.
A busca por um enquadramento teórico
original e a necessidade de oferecer um projeto de organização para a Amazônia,
que Bertha Becker empreendeu com pertinácia, não resultaram satisfatoriamente,
no meu entendimento. O modelo colonial imposto à região é o de sempre nas
relações entre um poder central e uma periferia, mas a mecânica desse processo,
colocada em funcionamento nos nossos dias, está sujeita a dinâmicas novas.
Essa conjuntura distinta é que
oferece a oportunidade de libertação de mais essa colônia de escapar à bitola
do colonizador. Teorias rígidas, mesmo que desenvolvidas como armas de
libertação, acabam por desfavorecer o objetivo pretendido. Os esquemas criados
permitem ao autor da teoria explicar, embora equivocadamente. Mas não intervir
na realidade de maneira a modificá-la. Por isso, o trem continua a carregar as
riquezas para fora, enquanto os teóricos teorizam sobre uma base factual mais
pobre do que a condição da Amazônia.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Sobre o "III Simpósio Relações entre Ciência e Políticas Públicas: Propostas de Bertha Becker para o Desenvolvimento da Amazônia"
Aconteceu no último dia 5, o III Simpósio Relações entre Ciência e Políticas Públicas: Propostas de
Bertha Becker para o Desenvolvimento da Amazônia, dando fim ao ciclo de
Simpósios idealizados para homenagear a pesquisadora e enfatizar sua importante
contribuição para a pesquisa científica e formulação de políticas públicas para
a Região Amazônica.
O evento ocorreu na cidade de Belém, no auditório Paulo
Cavalcante do Campus de Pesquisa do Museu Paraense Paraense Emílio Goeldi.
Iniciado com as palavras do Diretor do Museu Goeldi Nilson Garbas e a
Pesquisadora Ima Vieira, grande amiga de Bertha e idealizadora da homenagem.
As duas mesas compostas para o debate no evento tinham como
tema pontos cruciais levantados por Bertha Becker: os avanços e desafios dos
programas de C&T para a Amazônia e o desenvolvimento amazônico baseado na
valorização da floresta em pé. Na ocasião também ocorreu o lançamento do livro
de Bertha: A Urbe Amazonida.
Dos três simpósios realizados, este foi o único que não
contou com a presença da pesquisadora, falecida em 13 de julho., o que resultou
em grandes homenagens e relatos de situações vivenciadas com Bertha Becker por
parte dos palestrantes.
O evento teve transmissão ao vivo pelo canal do Museu Goeldi
no livestrem.
Mesa 1 - Peter Toledo, Roberto Araújo e Tatiana Sá
Mesa 2 - Milton Kanashiro, Charles Clement e Helena Lastres
Marlucia Martins, Charles Clement, Milton Kanashiro, Raimunda Monteiro,
Ima Vieira, Alfredo Homma, Peter Toledo, Tatiana Sá, Roberto Araújo e
Diógenes Alves.
Diretoria da AABBER - Associação dos Amigos da Bertha Becker
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
III Simpósio - Bertha Becker - Propostas para a Amazônia
O III SIMPÓSIO Relações entre Ciência e Políticas Públicas: Propostas de Bertha Becker para o Desenvolvimento da Amazônia será transmitido pelo canal do Museu Goeldi no youtube.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
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